A Tese/Obra denominada A Autocensura como Agente Poético Processual da Criação Escultórica - Projectos, Processos e Práticas Artísticas apresenta-se como um Corpo documento/edição de artista, composto por dois Momentos (ações) ou Tempos de orientação e leitura não-narrativa, que se interligam, o que nos motivou a uma organização que apoie e oriente a sua leitura e fruição.


Momento (acção) 1


- Correspondente aos princípios que enunciam, enquadram e justificam quer o tema como a sua contextualização no tempo e no espaço;

- O processo que origina e fundamenta o Momento 1.


Como objeto aglutinador e cuja aparência nos remete para as embalagens de transporte de obras de arte, inclui igualmente dentro de si Lava as tuas mãos nas minhas que, pelas suas características poderá ser alterada ou mesmo destruída através da sua fruição – o seu tempo de existência material é o tempo que o fruidor lhe destinar e a sua forma alterar-se-á dependendo desta ação.


Momento (acção) 2


- Exposição – Socialização – Ato Público


Entendendo-o como o momento de fruição/ação direta, o Momento (acção) 2 resulta na exposição de Artes Plásticas com obras de diversos artistas referidas ou realizadas durante o desenvolvimento da investigação e apresentadas em dois núcleos/edifícios - a Reitoria da Universidade do Porto e a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.


O Momento (acção) 2 integra também uma seleção de obras que concebi e realizei entre 2006 e 2010; as obras concebidas e realizadas especificamente para a Tese/Obra – Momento (acção) 1, Lava as tuas mãos nas minhas…, Acção Entrega Tese/Obra 29 de Março de 2011, Muro da Censura, C@rtas 2006-2010, e Corpo/Obra – Pele de Papel; um conjunto de obras em parceria e/ou em coautoria com diversos artistas – uns mais jovens e cujos projetos foram integrados em atividades curriculares e/ou extra curriculares, outros com carreiras definidas e das mais diversas origens; tributos a artistas pela impossibilidade de ter as suas obras presentes nesta exposição, ou ainda o espaço ERGASÍATHECA1 como arquivo ou coleção particular organizada de obras com as quais convivo na minha residência.


Trata-se, sucintamente, de um hipertexto analógico apresentado em dois formatos: juntos formam um todo, sendo que o Momento (acção) 2 tem uma autonomia distinta da do Momento (acção) 1.

Ser um hipertexto – analógico ou não - tem implicações, nomeadamente, no que diz respeito a uma conclusão que é inevitavelmente impossível para quem escreve por se tratar de um contínuo de relação umbilical com a experiência vivida ou a viver. Sem qualquer dramatismo, esta experiência só termina com o fim da vida.


Sem objetivos de concluir um estudo, termina-se uma fase de um processo contínuo que poderá auxiliar a outros estudos, de outras áreas do conhecimento e, particularmente, permitir-me prosseguir por caminhos nos quais a Arte em geral e as Artes Plásticas, em particular, são o meu estar na vida e com a vida.


Rute Rosas, 2011




1 Tendo como referência a palavra Biblioteca do grego βιβλιοϑήκη, criou-se este conceito considerando que as palavras obra e trabalho, em grego, são sinónimos - εργασία, ergasía.